TERAPIA

Unidades de Saúde da Prefeitura desenvolvem terapias integrativas para melhoria de vida da comunidade

As terapias integrativas atuam em espaço aberto à comunidade para a construção de laços sociais

05/04/2018 | 11:38 Imprimir Enviar por email
Unidades de Saúde da Prefeitura desenvolvem terapias integrativas para melhoria de vida da comunidade

As Unidades Básicas de Saúde do Poti Velho, Vamos Ver o Sol, Angelim, Saci e Real Copagre desenvolvem terapia comunitária com a população para amenizar, sem uso de medicamentos, dores ocasionadas por graves doenças, insônia, sentimento de solidão e até coisas simples como as preocupações do dia a dia e que podem comprometer a saúde.

“Eu já tinha mais de 20 anos de formada e estava inquieta com o fato de todos os meses haver consultas com o mesmo grupo de pacientes hipertensos e diabéticos. Todos os meses as mesmas queixas e mesmas condutas, sem nada se modificar. Isso me causava uma inquietação. Deveria haver outra coisa a ser feita para melhorar os resultados. Foi quando eu tive uma aula na minha especialização em Saúde da Família que expunha a questão da terapia comunitária. Um tempo depois o curso todo de terapia comunitária foi ofertado aqui em Teresina e a Fundação Municipal de Saúde patrocinou o curso para alguns profissionais da área da saúde e eu participei. Lá no curso nós tivemos aulas teóricas e já começamos a desenvolver as rodas. Temos que sair do curso habilitados para desenvolver as rodas. Foi em 2011 que começamos esse trabalho aqui no Poty Velho. Depois a minha agente de saúde, a Benedita, também foi capacitada e a gente vem dando continuidade. Aqui também na unidade temos a doutora Joana, que também fez o curso de terapia comunitária e agrega trabalho à equipe”, explica a enfermeira de Saúde da Família do bairro Poti Velho, Nancy Loila.

Raimunda Nonata da Silva, 78 anos, frequenta a terapia comunitária desde que teve início na UBS do Poti Velho. Ela conta que fica bem melhor quando participa do grupo. “Eu choro, desabafo minhas dores, minhas tristezas e também diminui um pouco minha solidão, pois na minha casa são três pessoas, mas todos trabalham e eu fico sozinha. Eu tenho amigos aqui. Gosto muito”.

Mensalmente na UBS Poty Velho acontecem as terapias, dinâmicas e a eutonia, técnica japonesa criada há mais de mil ano, onde com toca-se em partes do corpo com uma colher de madeira ou com as mãos para liberar energia dos ossos e provocar relaxamento. “De forma pontual realizamos também outras práticas integrativas como o reiki, ioga, shantala com gestantes”, fala Nancy Loiola, expondo também que precisa de voluntários para realizar essas últimas atividades.  “Outras terapias que desenvolvemos aqui são as dinâmicas de resgate da autoestima e a auriculoterapia, que é uma técnica de usar pontos na pele da aurícula (ouvido externo) para diagnosticar e tratar dor e condições médicas do corpo. Então, devagar vamos introduzindo dentro da atenção básica em saúde essas práticas integrativas”, diz a enfermeira.

Ela informa ainda como funciona a terapia comunitária, uma das práticas integrativas que Nancy desenvolve. “Por meio da roda de terapia comunitária os participantes abordam problemas e a cada sessão todos falam de alguma dificuldade e um tema é escolhido, por meio de votação dos participantes, para que todos possam contribuir com suas experiências. O problema é exposto e qualquer pessoa do grupo pode fazer perguntas, para que entendamos a situação. Essa é a primeira parte da roda. Na segunda parte da roda perguntamos quem já passou por uma situação parecida com essa e o que foi feito para atenuar, diminuir, melhorar ou mesmo, conviver com esse problema, o que é mais importante. Na roda é proibido aconselhar e fazer discurso. Todos escutam a história do outro, observam e tiram alguma coisa para suas vidas”, enfatiza Nancy Loiola.

Maria Inês Carvalho, de 76 anos, diz que gosta bastante de participar das práticas integrativas desenvolvidas via Unidade Básica de Saúde. “Eu fico muito preocupada com minhas seis filhas que moram longe de mim. Também alivio minha solidão participando dos grupos”.

As terapias integrativas atuam em espaço aberto à comunidade para a construção de laços sociais, apoio emocional, troca de experiências e prevenção ao adoecimento. Durante este mês de abril as unidades de saúde, da Prefeitura de Teresina, tem uma programação de atividades. Dia 13 de abril terá uma roda de Terapia Comunitária no Centro Social Florisa Silva, bairro Real Copagre, às 8h30. No dia 12, uma roda de terapia será desenvolvida no Parque Itararé, no MJ Eventos, rua 18 com a 13, próximo a estação do Metrô do Renascença. Dia 20, às 10h, no Hospital da Primavera também terá esse tipo de atividade comunitária.

 
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